sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Homenagem a Larissa

O ano de 2011 está acabando. Foi um ano de muitas mudanças de atitude e pensamento na minha vida, na maneira como enxergo as coisas e os acontecimentos e de reflexões (realmente e não é clichê de fim de ano!). Aqui vai uma homenagem a uma pessoa muito querida que perdi durante esta caminhada. Que Deus esteja contigo!


"E então veio a alvorada. A aurora despontou com todas as suas cores. O sol surgiu para iluminar as mentes e aquecer os corações de todos que fossem capazes de enxergá-lo. Iluminar através de sua lucidez, sensatez, retidão e equilíbrio. Mas não havia em si apenas racionalidade. Pelo contrário: Larissa era emoção, era o pulsar intenso e constante do coração, espalhando calor, alegria e, acima de tudo, amor aos que permitissem sentirem-se tocados por ele.

Temos a impressão de ter sido uma passagem curta. E de fato foi. Mas isso se deve à sua notável capacidade de fazer sentirmo-nos bem quando diante de si, capacidade de provocar nossos sentimentos e emoções ao mesmo tempo em que os sentia e compartilhava-os junto conosco. Larissa nos acostumou mal, no bom sentido.

Porém não sejamos egoístas. O sol também pode(e deve) brilhar para outras almas, levar-lhes conforto, ajuda, cura. A sua luz agora se estende pela infinidade do Universo. Não nos abandonou, obviamente. Ainda podemos senti-la; para isso, basta usar a força do pensamento, esse instrumento que todos os espíritos possuem para se expressar, que nos foi legado, em toda Sua bondade, pelo Criador. Quando necessitarmos e clamarmos, prontamente nos atenderá.

A dor e a angústia podem ainda permanecer por muito tempo devido à nossa incapacidade de compreender os desígnios de Deus, no entanto o dia chegará em que nos reencontraremos e desfrutaremos de toda a felicidade, alegria e amor, mas desta vez sem o temor e o risco de separações ou viagens inesperadas.

Larissa estará sempre em nossos pensamentos, corações e orações, pois possuía, como poucos, o dom de cativar os sentimentos mais nobres até nas almas mais indóceis.

Queremos, neste momento, agradecê-la por nos ter permitido viver tantos momentos memoráveis e agradecer a Deus por ter concedido esta dádiva a criaturas ainda tão imperfeitas. Fica a certeza de que teremos toda uma eternidade para estar contigo, Larissa, e isto acalenta nossos corações.

Um ‘até breve’ cheio de saudade..."

Dica de Leitura: "Cem Anos de Solidão"

Muita gente boa já leu este livro, mas fica a dica para quem ainda não teve a oportunidade. Boa leitura!

Considerada uma das obras mais importantes da Literatura em língua espanhola e alçada à categoria de clássico da literatura mundial, “Cem Anos de Solidão” possibilitou a conquista do Prêmio Nobel de Literatura pelo colombiano Gabriel García Márquez em 1982, fato louvado até hoje pelo meio literário latino-americano.

A história tem como fio condutor a árvore genealógica da família Buendía, a partir da união de José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán. A trajetória do clã é caracterizada por ser cíclica, isto é, uma sucessão de acontecimentos similares que se repetem com diferentes personagens perpetuando-se geração após geração.

O patriarca é responsável pela fundação de Macondo, povoado onde se apresenta a saga, permeado por peculiaridades como uma epidemia de insônia, um período de chuva prolongado durante anos, além de alta taxa de fecundidade de animais criados para subsistência humana.Acontecimentos fantásticos dão o tom da narrativa, tornando-a interessante e dando-lhe cor, movimento e cheiro.

O apogeu e declínio do povoado se confundem com o da família, demonstrando assim a forte ligação que existe entre estas duas entidades da obra. Não se sabe se as coisas começam a desandar para os Buendía a partir do momento que Macondo deixa de ser um lugar agradável para se viver ou se o vilarejo reflete a crescente desorganização no âmago dos José Arcadio e Aurelianos Buendía.

Há ainda um mistério a ser decifrado a partir dos pergaminhos de Melquíades, um velho cigano que percorre e parece assistir de camorote a tudo que acontece no solar dos Buendía. Alguns deles dedicam-se a esta tarefa, até que o último deles consegue compreender o que há escrito naqueles papéis.

Além de todo o viés mágico, incluem-se na obra fatos políticos como a luta entre liberais e conservadores pelo poder, guerrilhas, acontecimentos históricos deturpados, generais, caudilhos e influência religiosa tão marcantes nos países latino-americanos. O autor, apesar de construir uma obra de ficção, não furta-se a oportunidade de ligar-se ao que acontecia a seu redor.

Mais do que uma narrativa bela e que prende o leitor, “Cem Anos de Solidão” é leitura obrigatória por sua relevância literária e histórica. Aclamada por público e crítica nos últimos 43 anos, certamente será figura presente no topo das listas de livros clássicos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O bom jornalismo

Hoje, no Jornal Nacional, foi apresentada uma matéria sobre o Mundial de Clubes e as derrotas que o Barcelona já sofreu no Japão para times brasileiros. Um fato que pode ter passado despercebido, mas que na verdade é muito relevante foi o correspondente da TV Globo naquele país ter citado a vitória do Inter como Mundial e a vitória do São Paulo como Intercontinental.

Foi a primeira vez que vi algum profissional desta emissora e da imprensa brasileira como um todo se referir ao antigo torneio assim, com seu verdadeiro nome: Intercontinental e não Mundial, como todo mundo aqui já está cansado de saber.

Mais importante ainda porque a antiga Copa Intercontinental só recebe o nome de Mundial aqui no Brasil. Além disso, lembro de um fato que aconteceu em 2007, na transmissão de Boca Juniors x Milan, onde o locutor Galvão Bueno claramente mentiu para seus telespectadores quando afirmou que a FIFA, a partir daquele momento, tinha passado a reconhecer o Corinthians como campeão mundial, quando na verdade a FIFA tinha emitido uma resolução na qual afirmava reconhecer como campeões mundiais apenas aqueles que venceram torneios organizados por ela e que o Corinthians era o primeiro deles.

Pode parecer bobagem, mas aqui vai o meu reconhecimento ao jornalista Roberto Kovalick, que não tentou enganar seu público repetindo uma mentira contada há tantos anos pela imprensa nacional.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Brilha a estrela de Hillary

Após aparecer como favorita no início da corrida democrata para as eleições presidenciais americanas de 2008 e ser preterida pelo seu partido em favor do então futuro presidente dos EUA, Barack Obama, a ex-senadora Hillary Rodham Clinton parecia, para muitos, ter sua carreira política finalizada.

No entanto, depois de humilde e sabiamente ter aceitado o cargo de Secretária de Estado, a senhora Clinton adquiriu status de estrela na política internacional, não apenas pela visibilidade que a magnitude de seu posto naturalmente fornece, mas sim por suas opiniões e ações.

O ponto alto desta virada deu-se na última semana em dois momentos cruciais: um discurso emocionado e emocionante em favor dos direitos humanos perante as Nações Unidas, em Genebra, na Suíça e a sua posição frente às suspeitas de fraude nas eleições russas.

Mas o que estes dois eventos apresentaram de tão importante, sendo que à primeira vista parecem corriqueiros levando-se em conta que Hillary é a secretária do governo americano para assuntos internacionais?

O primeiro deles marca definitivamente o apoio do governo dos Estados Unidos da América em defesa dos direitos de homossexuais em todo o mundo, inclusive estimulando nações parceiras e que recebem ajuda americana a coibirem o preconceito e um alerta àquelas nações que ainda tratam os homossexuais como criminosos e permitem a violência contra este grupo. Depois de prometer, em campanha, lutar pelos direitos de um grupo ainda tão marginalizado, a administração Obama, que já havia conseguido, no Congresso, derrubar uma política discriminatória do exército, dá mais um sinal claro de respeito aos direitos LGBT.

Enquanto isso, o discurso endurecido em relação às eleições na Rússia, supostamente fraudulentas, ganha destaque por Hillary não ter tido receio de mexer num vespeiro provocando a ira do Kremlin, uma vez que mesmo após 20 anos da queda da URSS, ainda há um clima de tensão entre os dois países, como ficou comprovado nos últimos dias. Tanto é verdade que, para tirar a legitimidade de movimentos populares, na Rússia, sempre se usa uma estratégia bem conhecida e sucedida: acusar os manifestantes de serem estimulados pelo governo dos EUA. Porém, ao menos inicialmente, o efeito esperado pelo primeiro-ministro russo Vladimir Putin não foi alcançado, pois as manifestações ganharam corpo nas principais cidades e se espalharam pelo país.

Com tais atitudes, Hillary, ao menos em matéria de política internacional, vem conseguindo ofuscar o outrora concorrente Barack Obama, que além de tudo enfrenta resistência em seu país por conta da dificuldade em resolver os problemas da economia. É certo que Obama será o candidato democrata em 2012, mas, para muitos, fica a sensação de que, com Hillary na Casa Branca, teríamos mais coragem e firmeza.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A FIFA e os direitos no Brasil

Em Outubro de 2007, o Brasil foi designado oficialmente como sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014 pela entidade máxima que rege este esporte, a FIFA. Houve comemorações em várias partes do país, euforia e promessas de trabalho árduo e de que seríamos capazes de promover um evento que não deixaria a desejar em nada, se comparado àqueles realizados anteriormente, inclusive em países com infraestrutura sabidamente mais preparada que a nossa.

Quatro anos depois e passada toda a festa inicial, o que se vê são obras com o cronograma atrasado, principalmente aquelas relacionadas à mobilidade tanto dentro das cidades-sede quanto entre estas; entraves burocráticos na construção dos novos estádios e reforma dos existentes, além de greves que paralisaram as atividades em dois dos principais palcos para a Copa do Mundo, o Maracanã e o Mineirão, e que já chegam a ameaçar a realização da Copa das Confederações de 2013 nas cidades do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte.

Fora toda a discussão sobre se o que foi planejado e o que é necessário erguer para realizar um evento de primeira linha e mostrar ao mundo do que este novo Brasil é capaz, existe a preocupação com os gastos públicos e a transparência no uso destes, uma vez que a sociedade deseja saber onde e de que forma o dinheiro do contribuinte está sendo aplicado e que tudo seja feito da maneira mais eficaz. Porém, o fato é que, durante o último ano, pipocaram acusações contra o chefe do Comitê Organizador da Copa no Brasil, o também presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira e contra o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, do Partido Comunista do Brasil (PC do B) lançando suspeitas sobre como este processo vem sendo conduzido.

No entanto, o que tem entrado em pauta nos últimos dias é a intervenção que é quase imposta pela FIFA, que inclui alterações de leis que são amplamente aprovadas pela sociedade, como a proibição da venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios, e até a restrição de direitos conquistados como a meia-entrada para estudantes e outras categorias, prática adotada há bastante tempo. O questionamento que deve ser feito é: vale a pena passar por cima de conquistas da sociedade, como o Estatuto do Torcedor, para realizar um evento do porte de uma Copa do Mundo?

Abdicar de tudo que foi construído ao longo do tempo com muita discussão e luta, e mostrar-se subserviente aos interesses puramente econômicos da FIFA seria aterrador para tantas gerações de brasileiros que brigaram para conseguir tornar o preço dos ingressos mais acessível e para tornar o estádio de futebol um ambiente menos violento. E, acima de tudo, aceitar as condições sugeridas (ou impostas) pela FIFA, seria mostrar que o Estado não respeita os acordos instituídos entre ele e a sociedade. Por último, a suspensão daquelas medidas somente durante o período da Copa daria a impressão – e permitam-me utilizar uma expressão futebolística – deque o país é uma “várzea”, onde tudo é permitido (desde que se pague bem por isso).

É inegável que a Copa trouxe uma boa dose de autoestima para o ego da nação neste momento de anseios e sonhos altos, como também é uma oportunidade de ouro de se corrigirem deficiências nos aeroportos do país e na malha de transportes das grandes cidades. Mas o que é inegável da mesma forma é que os brasileiros desejam que isso seja feito da maneira mais correta e transparente possível, sem que se tire nossa dignidade e sem que venham nos dizer quando e onde podemos utilizar nossos direitos.

sábado, 30 de julho de 2011

Chávez muda do vinho para o suco de laranja

O presidente venezuelano Hugo Chávez deu, nesta sexta-feira, declarações surpreendentes sobre o futuro do seu regime. O bolivariano criticou correligionários por utilizarem demasiadamente o termo "socialismo" e questionou por que ele seria obrigado a vestir diuturnamente uma "camisa vermelha", já que as pessoas se mostraram surpresas com seu novo visual: camisa amarela.

Além disso, ele fez um aceno à classe média venezuelana, bem como à iniciativa privada do país, supostamente oferecendo a estes setores um papel que não tiveram nos 12 anos de domínio chavista.

Parece que o presidente teve um esquecimento muito oportuno e conveniente, uma vez que sempre designou o seu domínio político como Socialismo do Século XXI. Porém, por trás desta atitude que, em sua aparência, visa a união dos diversos setores da Venezuela, o caudilho dá sinais claros de que o crescimento da oposição e do descontentamento do povo com seu desgastado governo, o fez repensar o arcabouço do seu regime.

Pode-se pensar que foram apenas declarações soltas e despretensiosas, e não uma desconstrução do ideal bolivariano. No entanto, são de tal forma opostas e vão de encontro a tudo que vinha sendo pregado por ele e seus apoiadores, que nos faz cogitar que o poder e a autoconfiança de Chávez já não são mais os mesmos. Tanto que o outrora orgulhoso e arrogante presidente desceu de seu pedestal para se dirigir aos "burgueses e golpistas".

Mais em: http://www.bbc.co.uk/news/world-latin-america-14351508

quarta-feira, 20 de julho de 2011

É terminada a primavera de Dilma

Foram seis meses e meio e a lua-de-mel entre a sociedade brasileira e a Presidente Dilma parece ter chegado ao fim. A paciência e a condescendência concedidas no início de seu mandato, a partir de agora, viram cobrança por uma postura mais incisiva e resultados concretos.

Com atitudes discretas, um aparente conhecimento de causa e a aversão a bravatas folclóricas, características de seu antecessor, Dilma Rousseff foi premiada pela população, mesmo os que não votaram e contribuíram para sua vitória, com um tempo maior que o previsto para mostrar a que veio. O início de seu governo foi promissor, com tomadas de decisões austeras, responsáveis e estudadas, que agradaram, sobretudo, à classe média.

Um estilo bem diferente de Lula fez com que Dilma se tornasse a queridinha da imprensa e dos colunistas políticos, sempre elogiada nos artigos e reportagens comparativos entre os dois petistas. As críticas eram escassas ou quase inexistentes e até a oposição estendeu o acordo de paz que, como se diz no meio político, em casos de início de mandato não costuma ultrapassar cem dias.

Surgiu o escândalo (mais um) de Antônio Palocci, com a Casa Civil outra vez sendo o centro das atenções em mais um episódio repugnante de corrupção na história recente da política brasileira. Antes de Palocci, recorde-se que José Dirceu e Erenice Guerra também levaram lama ao gabinete deste Ministério. A questão é que o fato não respingou em Dilma e após uma relutante e hesitante saída de Palocci tudo dava a impressão de ter voltado à normalidade.

No entanto, nem bem havíamos nos recuperado e digerido o Caso Palocci, surgem notícias em profusão envolvendo o Ministério dos Transportes. Esta crise se arrasta há um mês e a cada dia aparecem novas acusações e descobertas que deixam a sociedade enternecida, anestesiada e desacreditada de que algo pode, um dia, ser diferente.

O que todos sabem é que corrupção é um problema crônico destes quase nove anos de administração petista. Corrupção institucionalizada, organizada, enraizada em órgãos, repartições e empresas públicas. Tudo feito sem o menor pudor. Um escândalo substitui outro nas manchetes de jornais, os acusados são temporariamente afastados (mas depois retornam, como Delúbio Soares, por exemplo) e a engrenagem segue célere prestando-se ao papel de meio de locupletação para personagens espúrios da nação.

Após tantas notícias negativas, já se começa a fazer uma avaliação mais lúcida do Governo Dilma. E nota-se que em nada difere do governo anterior, sem novas políticas e sem resolução dos problemas herdados. Dilma quase nunca se pronuncia ou manifesta suas opiniões e temos a sensação de que a cadeira da Presidência da República está desocupada.

A Presidente recebeu uma máquina desgastada pelas velhas práticas de fisiologismo e já assumiu o cargo de mãos atadas por um Congresso pra lá de heterogêneo e ganancioso. Junte-se a isso sua incapacidade de tomar o controle da situação e de incorporar o papel de presidente que, por vezes, exige mais politização do que tecnicismo. Resta-nos, agora, torcer para que pelo menos a Dilma técnica entre em ação.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Corinthians, Tevez e os direitos de TV

Na última segunda-feira, 11 de Julho, uma notícia caiu como uma bomba na imprensa esportiva inglesa: um clube sul-americano oferecia uma soma até então impensável para os padrões futebolísticos e econômicos das bandas de cá por um grande astro e goleador da Premier League,o Campeonato Inglês.

Porém, a proposta não causou espanto apenas na terra da Rainha. Aqui no Brasil muitos meios de comunicação passaram a divulgar informações desencontradas ao dizer que o Corinthians tentava repatriar Carlitos Tevez, velho conhecido, por empréstimo, talvez por não acreditarem no que liam nas páginas dos jornais britânicos. Naquele momento, a mídia internacional já falava em uma oferta que girava em torno de £35 milhões ou 40 milhões de euros.

A impressionante oferta corinthiana não ocupou rodapés, mas foi a manchete da página de esportes da rede de televisão britânica BBC, teve destaque em um dos maiores jornais do mundo o "The Guardian", bem como no Daily Mail, que publicou ainda uma extensa matéria sobre a história do Corinthians e o seu momento atual.

A exposição alcançada pelo Corinthians em apenas um dia e meio pode ter surpreendido até o próprio clube, já que Tevez não é nenhuma novidade na vida alvinegra e teve uma passagem pela equipe paulistana há 6 anos, conquistando o título brasileiro.

O fato é que a "audácia" do Corinthians mostra ao mundo a nova realidade do futebol brasileiro, com um campeonato nacional mais valorizado pela TV e com os clubes recebendo muito mais do que no início do século XXI. Isso só foi possível porque os clubes se libertaram das amarras impostas pelo Clube dos 13 e o time da capital paulista foi o pioneiro. Há quem critique a preferência de seu mandatário, Andrés Sanchez, pela TV Globo, mas a opção do presidente corinthiano parece ter sido acertada.

Novos milhões em caixa, aliados a uma gigantesca exposição na mídia, um competente Departamento de Marketing e a uma torcida que compra, literalmente, as ideias vendidas pelo clube (quando ela mesma não é a autora destas ideias) fazem do Corinthians uma marca espetacular e todo este potencial está sendo conhecido pelos europeus, ainda atordoados com a investida.

As torcidas dos times adversários têm criticado os altos valores que Corinthians e Flamengo receberão no novo contrato televisivo; esbravejam um suposto favorecimento aos dois clubes, notadamente os mais populares e midiáticos do país. Injustiça seria se estes dois times recebessem, como vigora até o contrato de 2011, os mesmos valores de outros clubes. O que poderia ser feito para aplicar um pouco de "justiça" nestes contratos seria uma percentagem de acordo com a classificação do campeonato anterior, mas sem deixar de valorizar as marcas que atraem mais o interesse da mídia e que possuem o maior número de jogos transmitidos.

No momento em que o texto é escrito, não se sabe ainda se a proposta pela contratação de Tevez foi aceita pelo clube inglês. Mas o que se sabe, ou ao menos se espera, é que a ambição corinthiana renda frutos e inspire os demais clubes brasileiros a sonhar alto e explorar devidamente suas marcas a fim de tornar nosso campeonato ainda mais atrativo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Muito mais que vilões ou mocinhos

O programa mais assistido da televisão brasileira, desde muito tempo, é a novela das oito da TV Globo. Muitas histórias já ocuparam a faixa, mas a que vem sendo exibida nos últimos cinco meses e meio tem se mostrado diferente, em muitos aspectos, das suas antecessoras.

“Insensato Coração” pode não alcançar os altíssimos índices de audiência outrora facilmente batidos pelas telenovelas. Nos últimos anos houve uma maior diversificação no acesso às formas de entretenimento e as pessoas passaram a buscar diversão no uso da internet, do DVD para assistir filmes ou mesmo procurar outra programação na TV Paga, fazendo com que o número de televisores sintonizados na TV aberta caísse substancialmente. Apesar disso, ultrapassar frequentemente a barreira dos 40 pontos não é nada desprezível.

Na primeira fase, a novela deu mostras de que seria apenas mais uma seguindo as mesmas regras maniqueístas (e batidas) que perduram desde os tempos que Assis Chateaubriand implantou a primeira estação de TV no Brasil. Mocinhos sem sal e idiotizados, quase irreais, enganados facilmente por vilões muitíssimo mais sagazes e espertos.

A segunda fase veio e com ela surgiram personagens mais interessantes, os diálogos tornaram-se mais inteligentes e as tramas mais excitantes. Além disso, dentro do núcleo responsável pela guinada da novela rumo ao sucesso, a personagem Norma, vivida por Glória Pires, ambígua e complexa, dificilmente enquadrada como vilã ou mocinha revoltada chamou a atenção do público com a sua bem construída e planejada vingança contra o (este sim) vilão Leo, tão bem caracterizado por Gabriel Braga Nunes, e que já entra para a galeria dos mais perversos das telenovelas.

Some-se a isso a mudança de atitude dos mocinhos Marina e Pedro, respectivamente Paola Oliveira e Eriberto Leão, provocada pelos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares, que deixaram de ser passivos e foram dotados de astúcia para passar a perna no seu algoz. Esta manobra deu vida aos personagens e fez o público voltar a torcer pelos protagonistas da história, como é o sonho de quase todo autor e está no script deste tipo de atração.

Deve-se fazer menção também a outro núcleo de destaque, o do banqueiro corrupto Horácio Cortês, vivido por Herson Capri, que carregou a novela nas costas enquanto Norma vivia o seu conflito interior e preparava sua vingança.

Louve-se ainda o dinamismo implementado com a entrada e saída de personagens, dando movimento e novas nuances à trama. Há quem critique o exagero de mortes, mas elas foram válidas e justificadas durante a história.

Outros ingredientes ajudam a construir o sucesso de “Insensato Coração”: a trilha sonora é de qualidade, mesclando desde música eletrônica, passando pelo pop da ascendente Katy Perry, uma bela gravação romântica de Elvis Presley, o samba de Mart’Nália e a maravilhosa performance de Maria Rita no tema de abertura; a fuga da mesmice de bairros cariocas tão retratados em novelas globais como Leblon e Ipanema, para cenários pouco explorados anteriormente como os da Lagoa, Horto e Jardim Botânico, além de Florianópolis.

A novela entrará em sua reta final e já se pode dizer que inseriu um novo marco na construção deste tipo de programa que é o favorito dos brasileiros. Insensato Coração soube renovar-se em si mesma para que a história não ficasse arrastada e previsível, e apresentou personagens com conflitos, ora generosos ora ambiciosos, fugindo do clichê bons contra maus. Mais um ótimo trabalho de Gilberto Braga e Ricardo Linhares que trouxe para a frente da TV muita gente que havia deixado de ver novela.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Reincidência de Antônio Palocci não é surpreendente

Quando, ainda no processo eleitoral que culminou com a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República, veio a público que Antônio Palocci era o homem forte da campanha petista, poucos pessoas na imprensa e até mesmo na oposição ousaram ao menos relembrar sua malfadada passagem pelo Ministério da Fazenda ainda no primeiro mandato de Lula.

Falava-se, a todo momento, de suas virtudes e habilidades políticas, como a capacidade de diálogo com opositores e louvava-se sua austeridade ao gerir a política monetária nacional. Pouco ou nada se falou do seu grave desvio de conduta, ao infringir direitos básicos de um cidadão brasileiro. Com isso, abriu-se caminho para que Palocci voltasse por cima, em um dos cargos mais cobiçados e importantes da República e com ainda mais poder.

O queridinho da imprensa, que tentava travestir Palocci com uma aparência mais palatável à classe média paulista, notadamente e historicamente resistente ao modo de ser petista, acabou caindo em desgraça mais uma vez. O agora ex-ministro da Casa Civil utilizou-se de sua posição privilegiada na articulação política que levou Dilma ao Planalto para tirar vantagens pessoais. Parece que sua patologia é crônica...

Para os que se mantiveram céticos quanto à atuação de Palocci tanto na campanha, quanto no governo, sua demissão e sua reincidência não são surpresas. O surpreendente é que a sociedade brasileira esteja anestesiada a tal ponto de permitir que um político tenha caminho pavimentado para constranger a nação inteira duas vezes com suas indecências.

Depois de José Dirceu, Erenice Guerra e Antônio Palocci, precisamos vigiar Gleisi Hoffmann bem de perto...

Por mais respeito aos direitos dos trabalhadores e segurança jurídica

A onda de democratização vivida pelo país nos últimos vinte e cinco anos, tendo como símbolo maior a Constituição de 1988, representou, sem dúvida, avanços nas relações entre as esferas de poder e a classe trabalhadora, principalmente os servidores públicos. Na teoria, não há mais espaço para decisões arbitrárias, abuso de autoridade e de força, cerceamento de direitos. No entanto, nota-se que ainda existe uma cultura, simbolizada por alguns políticos com formação tradicional, sejam eles de esquerda ou de direita, de agir segundo a arcaica cartilha de restrição e sufocamento do movimento trabalhista.

A legislação trabalhista brasileira é antiga e remonta aos anos do Estado Novo de Getúlio Vargas. Por conseguinte, como é natural, dado os rápidos avanços sociais, culturais e tecnológicos da sociedade, ela torna-se obsoleta e requer atualizações. Há questões pontuais que merecem ser tratadas como a redução da jornada de trabalho, duração dos períodos de licença e de férias, sempre estendendo direitos aos trabalhadores e não os restringindo.

Mas o que se vê muitas vezes é o desrespeito à lei vigente por parte do poder público, que deveria ser o primeiro a dar bom exemplo, junto a seus servidores. Os funcionários têm o direito de reivindicar melhores condições de trabalho e salários dignos, possuem o direito de fazer greve quando julgarem necessário, preservados de assédios, pressões ou ameaças por parte das instituições estatais.

O Executivo deve fomentar a elaboração de planos de carreira visando premiar àqueles funcionários que se esforçam com o intuito de se qualificar e ascender, contribuindo assim para uma maior efetividade dos serviços prestados à população. O Legislativo precisa votar a favor de tais projetos, nunca sendo instrumento de retirada de direitos. E o Judiciário deve estar vigilante, sempre à espreita, para evitar arbitrariedades cometidas pelos representantes eleitos pelo povo.

Uma reformulação das leis atuais é necessária, objetivando dotar a massa trabalhadora de um arcabouço que a proteja de maus patrões. Porém o principal é uma reciclagem na mentalidade e/ou nos membros da classe dirigente através dos movimentos sociais organizados e da escolha de políticos preocupados realmente com os trabalhadores, fugindo dos discursos populistas.

O respeito aos direitos já adquiridos dá à sociedade a segurança de que tudo que foi conquistado permanecerá intocado. É a senha para a construção de relações sólidas, com o mínimo de desconfiança entre empregados e empregadores. Com isso quem ganha são as empresas e, no caso do Estado, a população que passa a contar com serviços de educação, saúde e segurança mais eficazes e de melhor qualidade.

Cultura e desenvolvimento

Roma Antiga legou à modernidade um termo, na maioria das vezes, utilizado em sentido pejorativo ou quando se quer criticar uma política de entreter as massas e deixá-las ocupadas, enquanto os governantes têm o caminho livre para que suas ações se mantenham longe do crivo da opinião pública: “pão e circo”. O “circo” oferecido servia ao propósito de alimentar e despertar instintos animalescos na plebe romana, onde se vociferava ao ver prisioneiros de guerra e escravos serem devorados por feras. Apesar do espetáculo deprimente e selvagem, o intuito era proporcionar divertimento ao povo. O poder público mostrava aos cidadãos o que eles queriam ver.
Mais de vinte séculos depois, com a Humanidade em outro estágio evolutivo, tanto tecnológico, social e, (por que não?) espiritual, poder-se-ia adaptar a ideia principal ao nosso contexto e levar cultura às pessoas; permitir e facilitar o acesso a atividades que elas rotineiramente não têm, seja por serem estas atividades dispendiosas ou restritas, elitizadas.

A cultura enriquece o ser, engrandece a alma, dá asas ao homem e o liberta da ignorância. Possibilita que o indivíduo conheça a história de seu povo e sua própria história; que possa enxergar-se na produção e imaginação de outros seres humanos de lugares e épocas diferentes. Faz parte ainda do processo de construção da personalidade deste indivíduo.

Dada essa importância, deveria ser uma política de Estado a criação de instituições (e o apoio às que já existem) que se propusessem a democratizar o melhor dos programas culturais carreando-os para a periferia, para o interior. Outro papel relevante é desenvolver e estimular o gosto pela arte nas crianças já desde os primeiros anos na escola, e que isto as acompanhe durante toda a vida escolar, o que não acontece hoje nas escolas brasileiras.

Esta “distribuição de cultura” dar-se-ia por meio da descentralização de bibliotecas públicas, levando-as aos bairros periféricos e campanhas de incentivo à leitura; do subsídio a grupos de teatro de rua, que se apresentariam em praça pública; da interiorização de feiras literárias e exposições de grandes obras de arte, etc.

Há quem considere o investimento em cultura coisa supérflua e fútil, mas a construção de um ambiente onde se lê, onde se produz e respira arte erudita ou popular, onde todos podem consumir cultura, e não apenas os que podem pagar por isso, impulsiona o desenvolvimento educacional do país, seus indicadores sociais e o bem-estar das pessoas.
Sendo assim, abram alas para o circo do século XXI!

A educação como processo

Apesar de ter sido fruto de diversas campanhas nos últimos anos por empresas e ONGs, além de ter sido mote de campanha de um presidenciável nas últimas eleições gerais, a educação parece não ter alcançado os gestores públicos em toda a profundidade e relevância da questão. A falta de ações efetivas para melhorar sua qualidade é motivo de preocupação sobre seu impacto no crescimento e desenvolvimento do país nos próximos anos.

Nota-se o problema quando empresas não conseguem exercer todo o seu potencial ao deixar vagas de emprego ociosas por conta da baixa qualificação da mão-de-obra. A curto prazo, isto não parece afetar tanto a evolução da economia, mas certamente a médio e longo prazos limitará a expansão do mercado. A despeito do oba-oba do governo na área econômica, os investimentos em Ciência e Tecnologia deixam a desejar, fazendo com que tenhamos uma economia pouco diversificada baseada na exportação de commodities, com pouca produção de conhecimento.

A educação, por outro lado, também tem o poder de impulsionar diretamente melhora nos indicadores sociais, notadamente na segurança pública e na saúde. A educação pública de qualidade permite que pessoas de classes sociais mais baixas aumentem seu leque de oportunidades para ascender por meio de seu mérito pessoal. Investir na educação pode mesmo promover a realocação dos recursos destinados à saúde, ao passo que minimiza a mortalidade por doenças factíveis a ações preventivas, tais como hábitos de vida saudáveis.

Muito se discute sobre como melhorar o sistema educacional brasileiro, mas o que parece ser questão fechada é o investimento pesado na educação básica, em um país onde cerca de 10% da população não sabe ler nem escrever e cerca de 20% não consegue compreender textos, somando a isso uma intensa desigualdade regional em tais indicadores. Por meio de uma melhor formação profissional dos professores e elaboração de um plano de carreira para a classe, pode-se chegar a resultados significativos, desde que se forneçam a estes profissionais condições de trabalho adequadas, como boas instalações das escolas e livros didáticos em número suficiente.

Todo processo de melhoria na qualidade da educação exige uma mudança de mentalidade e colaboração não só da classe política, mas de todos, pois se trata de um projeto que exige tempo para apresentar resultados. O futuro do Brasil depende disso e cabe a nós, eleitores, escolher candidatos comprometidos com a questão e exigir de forma contundente ação do próximo governo.