quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cultura e desenvolvimento

Roma Antiga legou à modernidade um termo, na maioria das vezes, utilizado em sentido pejorativo ou quando se quer criticar uma política de entreter as massas e deixá-las ocupadas, enquanto os governantes têm o caminho livre para que suas ações se mantenham longe do crivo da opinião pública: “pão e circo”. O “circo” oferecido servia ao propósito de alimentar e despertar instintos animalescos na plebe romana, onde se vociferava ao ver prisioneiros de guerra e escravos serem devorados por feras. Apesar do espetáculo deprimente e selvagem, o intuito era proporcionar divertimento ao povo. O poder público mostrava aos cidadãos o que eles queriam ver.
Mais de vinte séculos depois, com a Humanidade em outro estágio evolutivo, tanto tecnológico, social e, (por que não?) espiritual, poder-se-ia adaptar a ideia principal ao nosso contexto e levar cultura às pessoas; permitir e facilitar o acesso a atividades que elas rotineiramente não têm, seja por serem estas atividades dispendiosas ou restritas, elitizadas.

A cultura enriquece o ser, engrandece a alma, dá asas ao homem e o liberta da ignorância. Possibilita que o indivíduo conheça a história de seu povo e sua própria história; que possa enxergar-se na produção e imaginação de outros seres humanos de lugares e épocas diferentes. Faz parte ainda do processo de construção da personalidade deste indivíduo.

Dada essa importância, deveria ser uma política de Estado a criação de instituições (e o apoio às que já existem) que se propusessem a democratizar o melhor dos programas culturais carreando-os para a periferia, para o interior. Outro papel relevante é desenvolver e estimular o gosto pela arte nas crianças já desde os primeiros anos na escola, e que isto as acompanhe durante toda a vida escolar, o que não acontece hoje nas escolas brasileiras.

Esta “distribuição de cultura” dar-se-ia por meio da descentralização de bibliotecas públicas, levando-as aos bairros periféricos e campanhas de incentivo à leitura; do subsídio a grupos de teatro de rua, que se apresentariam em praça pública; da interiorização de feiras literárias e exposições de grandes obras de arte, etc.

Há quem considere o investimento em cultura coisa supérflua e fútil, mas a construção de um ambiente onde se lê, onde se produz e respira arte erudita ou popular, onde todos podem consumir cultura, e não apenas os que podem pagar por isso, impulsiona o desenvolvimento educacional do país, seus indicadores sociais e o bem-estar das pessoas.
Sendo assim, abram alas para o circo do século XXI!

Nenhum comentário:

Postar um comentário