quarta-feira, 8 de junho de 2011

A educação como processo

Apesar de ter sido fruto de diversas campanhas nos últimos anos por empresas e ONGs, além de ter sido mote de campanha de um presidenciável nas últimas eleições gerais, a educação parece não ter alcançado os gestores públicos em toda a profundidade e relevância da questão. A falta de ações efetivas para melhorar sua qualidade é motivo de preocupação sobre seu impacto no crescimento e desenvolvimento do país nos próximos anos.

Nota-se o problema quando empresas não conseguem exercer todo o seu potencial ao deixar vagas de emprego ociosas por conta da baixa qualificação da mão-de-obra. A curto prazo, isto não parece afetar tanto a evolução da economia, mas certamente a médio e longo prazos limitará a expansão do mercado. A despeito do oba-oba do governo na área econômica, os investimentos em Ciência e Tecnologia deixam a desejar, fazendo com que tenhamos uma economia pouco diversificada baseada na exportação de commodities, com pouca produção de conhecimento.

A educação, por outro lado, também tem o poder de impulsionar diretamente melhora nos indicadores sociais, notadamente na segurança pública e na saúde. A educação pública de qualidade permite que pessoas de classes sociais mais baixas aumentem seu leque de oportunidades para ascender por meio de seu mérito pessoal. Investir na educação pode mesmo promover a realocação dos recursos destinados à saúde, ao passo que minimiza a mortalidade por doenças factíveis a ações preventivas, tais como hábitos de vida saudáveis.

Muito se discute sobre como melhorar o sistema educacional brasileiro, mas o que parece ser questão fechada é o investimento pesado na educação básica, em um país onde cerca de 10% da população não sabe ler nem escrever e cerca de 20% não consegue compreender textos, somando a isso uma intensa desigualdade regional em tais indicadores. Por meio de uma melhor formação profissional dos professores e elaboração de um plano de carreira para a classe, pode-se chegar a resultados significativos, desde que se forneçam a estes profissionais condições de trabalho adequadas, como boas instalações das escolas e livros didáticos em número suficiente.

Todo processo de melhoria na qualidade da educação exige uma mudança de mentalidade e colaboração não só da classe política, mas de todos, pois se trata de um projeto que exige tempo para apresentar resultados. O futuro do Brasil depende disso e cabe a nós, eleitores, escolher candidatos comprometidos com a questão e exigir de forma contundente ação do próximo governo.

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