quarta-feira, 20 de julho de 2011

É terminada a primavera de Dilma

Foram seis meses e meio e a lua-de-mel entre a sociedade brasileira e a Presidente Dilma parece ter chegado ao fim. A paciência e a condescendência concedidas no início de seu mandato, a partir de agora, viram cobrança por uma postura mais incisiva e resultados concretos.

Com atitudes discretas, um aparente conhecimento de causa e a aversão a bravatas folclóricas, características de seu antecessor, Dilma Rousseff foi premiada pela população, mesmo os que não votaram e contribuíram para sua vitória, com um tempo maior que o previsto para mostrar a que veio. O início de seu governo foi promissor, com tomadas de decisões austeras, responsáveis e estudadas, que agradaram, sobretudo, à classe média.

Um estilo bem diferente de Lula fez com que Dilma se tornasse a queridinha da imprensa e dos colunistas políticos, sempre elogiada nos artigos e reportagens comparativos entre os dois petistas. As críticas eram escassas ou quase inexistentes e até a oposição estendeu o acordo de paz que, como se diz no meio político, em casos de início de mandato não costuma ultrapassar cem dias.

Surgiu o escândalo (mais um) de Antônio Palocci, com a Casa Civil outra vez sendo o centro das atenções em mais um episódio repugnante de corrupção na história recente da política brasileira. Antes de Palocci, recorde-se que José Dirceu e Erenice Guerra também levaram lama ao gabinete deste Ministério. A questão é que o fato não respingou em Dilma e após uma relutante e hesitante saída de Palocci tudo dava a impressão de ter voltado à normalidade.

No entanto, nem bem havíamos nos recuperado e digerido o Caso Palocci, surgem notícias em profusão envolvendo o Ministério dos Transportes. Esta crise se arrasta há um mês e a cada dia aparecem novas acusações e descobertas que deixam a sociedade enternecida, anestesiada e desacreditada de que algo pode, um dia, ser diferente.

O que todos sabem é que corrupção é um problema crônico destes quase nove anos de administração petista. Corrupção institucionalizada, organizada, enraizada em órgãos, repartições e empresas públicas. Tudo feito sem o menor pudor. Um escândalo substitui outro nas manchetes de jornais, os acusados são temporariamente afastados (mas depois retornam, como Delúbio Soares, por exemplo) e a engrenagem segue célere prestando-se ao papel de meio de locupletação para personagens espúrios da nação.

Após tantas notícias negativas, já se começa a fazer uma avaliação mais lúcida do Governo Dilma. E nota-se que em nada difere do governo anterior, sem novas políticas e sem resolução dos problemas herdados. Dilma quase nunca se pronuncia ou manifesta suas opiniões e temos a sensação de que a cadeira da Presidência da República está desocupada.

A Presidente recebeu uma máquina desgastada pelas velhas práticas de fisiologismo e já assumiu o cargo de mãos atadas por um Congresso pra lá de heterogêneo e ganancioso. Junte-se a isso sua incapacidade de tomar o controle da situação e de incorporar o papel de presidente que, por vezes, exige mais politização do que tecnicismo. Resta-nos, agora, torcer para que pelo menos a Dilma técnica entre em ação.

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