sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Homenagem a Larissa

O ano de 2011 está acabando. Foi um ano de muitas mudanças de atitude e pensamento na minha vida, na maneira como enxergo as coisas e os acontecimentos e de reflexões (realmente e não é clichê de fim de ano!). Aqui vai uma homenagem a uma pessoa muito querida que perdi durante esta caminhada. Que Deus esteja contigo!


"E então veio a alvorada. A aurora despontou com todas as suas cores. O sol surgiu para iluminar as mentes e aquecer os corações de todos que fossem capazes de enxergá-lo. Iluminar através de sua lucidez, sensatez, retidão e equilíbrio. Mas não havia em si apenas racionalidade. Pelo contrário: Larissa era emoção, era o pulsar intenso e constante do coração, espalhando calor, alegria e, acima de tudo, amor aos que permitissem sentirem-se tocados por ele.

Temos a impressão de ter sido uma passagem curta. E de fato foi. Mas isso se deve à sua notável capacidade de fazer sentirmo-nos bem quando diante de si, capacidade de provocar nossos sentimentos e emoções ao mesmo tempo em que os sentia e compartilhava-os junto conosco. Larissa nos acostumou mal, no bom sentido.

Porém não sejamos egoístas. O sol também pode(e deve) brilhar para outras almas, levar-lhes conforto, ajuda, cura. A sua luz agora se estende pela infinidade do Universo. Não nos abandonou, obviamente. Ainda podemos senti-la; para isso, basta usar a força do pensamento, esse instrumento que todos os espíritos possuem para se expressar, que nos foi legado, em toda Sua bondade, pelo Criador. Quando necessitarmos e clamarmos, prontamente nos atenderá.

A dor e a angústia podem ainda permanecer por muito tempo devido à nossa incapacidade de compreender os desígnios de Deus, no entanto o dia chegará em que nos reencontraremos e desfrutaremos de toda a felicidade, alegria e amor, mas desta vez sem o temor e o risco de separações ou viagens inesperadas.

Larissa estará sempre em nossos pensamentos, corações e orações, pois possuía, como poucos, o dom de cativar os sentimentos mais nobres até nas almas mais indóceis.

Queremos, neste momento, agradecê-la por nos ter permitido viver tantos momentos memoráveis e agradecer a Deus por ter concedido esta dádiva a criaturas ainda tão imperfeitas. Fica a certeza de que teremos toda uma eternidade para estar contigo, Larissa, e isto acalenta nossos corações.

Um ‘até breve’ cheio de saudade..."

Dica de Leitura: "Cem Anos de Solidão"

Muita gente boa já leu este livro, mas fica a dica para quem ainda não teve a oportunidade. Boa leitura!

Considerada uma das obras mais importantes da Literatura em língua espanhola e alçada à categoria de clássico da literatura mundial, “Cem Anos de Solidão” possibilitou a conquista do Prêmio Nobel de Literatura pelo colombiano Gabriel García Márquez em 1982, fato louvado até hoje pelo meio literário latino-americano.

A história tem como fio condutor a árvore genealógica da família Buendía, a partir da união de José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán. A trajetória do clã é caracterizada por ser cíclica, isto é, uma sucessão de acontecimentos similares que se repetem com diferentes personagens perpetuando-se geração após geração.

O patriarca é responsável pela fundação de Macondo, povoado onde se apresenta a saga, permeado por peculiaridades como uma epidemia de insônia, um período de chuva prolongado durante anos, além de alta taxa de fecundidade de animais criados para subsistência humana.Acontecimentos fantásticos dão o tom da narrativa, tornando-a interessante e dando-lhe cor, movimento e cheiro.

O apogeu e declínio do povoado se confundem com o da família, demonstrando assim a forte ligação que existe entre estas duas entidades da obra. Não se sabe se as coisas começam a desandar para os Buendía a partir do momento que Macondo deixa de ser um lugar agradável para se viver ou se o vilarejo reflete a crescente desorganização no âmago dos José Arcadio e Aurelianos Buendía.

Há ainda um mistério a ser decifrado a partir dos pergaminhos de Melquíades, um velho cigano que percorre e parece assistir de camorote a tudo que acontece no solar dos Buendía. Alguns deles dedicam-se a esta tarefa, até que o último deles consegue compreender o que há escrito naqueles papéis.

Além de todo o viés mágico, incluem-se na obra fatos políticos como a luta entre liberais e conservadores pelo poder, guerrilhas, acontecimentos históricos deturpados, generais, caudilhos e influência religiosa tão marcantes nos países latino-americanos. O autor, apesar de construir uma obra de ficção, não furta-se a oportunidade de ligar-se ao que acontecia a seu redor.

Mais do que uma narrativa bela e que prende o leitor, “Cem Anos de Solidão” é leitura obrigatória por sua relevância literária e histórica. Aclamada por público e crítica nos últimos 43 anos, certamente será figura presente no topo das listas de livros clássicos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O bom jornalismo

Hoje, no Jornal Nacional, foi apresentada uma matéria sobre o Mundial de Clubes e as derrotas que o Barcelona já sofreu no Japão para times brasileiros. Um fato que pode ter passado despercebido, mas que na verdade é muito relevante foi o correspondente da TV Globo naquele país ter citado a vitória do Inter como Mundial e a vitória do São Paulo como Intercontinental.

Foi a primeira vez que vi algum profissional desta emissora e da imprensa brasileira como um todo se referir ao antigo torneio assim, com seu verdadeiro nome: Intercontinental e não Mundial, como todo mundo aqui já está cansado de saber.

Mais importante ainda porque a antiga Copa Intercontinental só recebe o nome de Mundial aqui no Brasil. Além disso, lembro de um fato que aconteceu em 2007, na transmissão de Boca Juniors x Milan, onde o locutor Galvão Bueno claramente mentiu para seus telespectadores quando afirmou que a FIFA, a partir daquele momento, tinha passado a reconhecer o Corinthians como campeão mundial, quando na verdade a FIFA tinha emitido uma resolução na qual afirmava reconhecer como campeões mundiais apenas aqueles que venceram torneios organizados por ela e que o Corinthians era o primeiro deles.

Pode parecer bobagem, mas aqui vai o meu reconhecimento ao jornalista Roberto Kovalick, que não tentou enganar seu público repetindo uma mentira contada há tantos anos pela imprensa nacional.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Brilha a estrela de Hillary

Após aparecer como favorita no início da corrida democrata para as eleições presidenciais americanas de 2008 e ser preterida pelo seu partido em favor do então futuro presidente dos EUA, Barack Obama, a ex-senadora Hillary Rodham Clinton parecia, para muitos, ter sua carreira política finalizada.

No entanto, depois de humilde e sabiamente ter aceitado o cargo de Secretária de Estado, a senhora Clinton adquiriu status de estrela na política internacional, não apenas pela visibilidade que a magnitude de seu posto naturalmente fornece, mas sim por suas opiniões e ações.

O ponto alto desta virada deu-se na última semana em dois momentos cruciais: um discurso emocionado e emocionante em favor dos direitos humanos perante as Nações Unidas, em Genebra, na Suíça e a sua posição frente às suspeitas de fraude nas eleições russas.

Mas o que estes dois eventos apresentaram de tão importante, sendo que à primeira vista parecem corriqueiros levando-se em conta que Hillary é a secretária do governo americano para assuntos internacionais?

O primeiro deles marca definitivamente o apoio do governo dos Estados Unidos da América em defesa dos direitos de homossexuais em todo o mundo, inclusive estimulando nações parceiras e que recebem ajuda americana a coibirem o preconceito e um alerta àquelas nações que ainda tratam os homossexuais como criminosos e permitem a violência contra este grupo. Depois de prometer, em campanha, lutar pelos direitos de um grupo ainda tão marginalizado, a administração Obama, que já havia conseguido, no Congresso, derrubar uma política discriminatória do exército, dá mais um sinal claro de respeito aos direitos LGBT.

Enquanto isso, o discurso endurecido em relação às eleições na Rússia, supostamente fraudulentas, ganha destaque por Hillary não ter tido receio de mexer num vespeiro provocando a ira do Kremlin, uma vez que mesmo após 20 anos da queda da URSS, ainda há um clima de tensão entre os dois países, como ficou comprovado nos últimos dias. Tanto é verdade que, para tirar a legitimidade de movimentos populares, na Rússia, sempre se usa uma estratégia bem conhecida e sucedida: acusar os manifestantes de serem estimulados pelo governo dos EUA. Porém, ao menos inicialmente, o efeito esperado pelo primeiro-ministro russo Vladimir Putin não foi alcançado, pois as manifestações ganharam corpo nas principais cidades e se espalharam pelo país.

Com tais atitudes, Hillary, ao menos em matéria de política internacional, vem conseguindo ofuscar o outrora concorrente Barack Obama, que além de tudo enfrenta resistência em seu país por conta da dificuldade em resolver os problemas da economia. É certo que Obama será o candidato democrata em 2012, mas, para muitos, fica a sensação de que, com Hillary na Casa Branca, teríamos mais coragem e firmeza.