sábado, 6 de outubro de 2012

Não vote 13 no Domingo

NÃO VOTE 13 NO DOMINGO!

Após quase quatro anos de uma administração turbulenta e conturbada, conclamo o maior expoente do Partido dos Trabalhadores em Juazeiro do Norte a fazer uma autocrítica e reconhecer que seu governo não foi, de longe, digno da confiança que lhe foi depositada maciçamente pelo povo desta cidade em Outubro de 2008.

Às vezes se faz necessário saber o momento exato de recolher as armas e tirar um tempo de reclusão para refletir o que foi feito até então e repensar alternativas, reinventar-se. É uma atitude de grandeza conseguir apontar os próprios erros, sem tentar justificá-los sempre alegando perseguições ou injustiças.

O primeiro governo petista em Juazeiro foi desastroso. Esteve por vários momentos à beira do colapso total, com acusações de corrupção, greves, luta direta entre prefeitura e servidores públicos, entre governo e sociedade, entre o gestor e a imprensa, níveis extremos de impopularidade e rejeição, chegando ao ponto de ter sido votada a cassação do prefeito na Câmara de Vereadores.

O fracasso perpassa pela falta de habilidade (ou falta de vontade) política do prefeito em dialogar com os professores culminando em duas longas greves que, certamente, ajudaram a erodir sua popularidade junto a um dos setores que marcadamente o apoiou em boa parte de sua trajetória política. Confiscar salários, limitar direitos, retroceder no plano de cargos e carreiras da classe, propagar aos quatro ventos inverdades sobre a remuneração dos profissionais da educação não é o que se pode chamar de atitude digna de governo dos trabalhadores.

Como se não bastasse, deixar a saúde municipal em frangalhos após fechar um hospital que, embora não fosse notoriamente reconhecido pela qualidade dos serviços prestados, ao menos prestava o mínimo de assistência a um povo tão carente de serviços de saúde os mais básicos. Com o encerramento das operações do Hospital Santo Inácio, o Hospital Regional do Cariri precisou assumir a demanda que foi deixada, acabando por fugir aos seus propósitos iniciais.

Durante a campanha, em vez de explicar à cidade os motivos de sua incompetência e ineficiência, Santana preferiu acusar uma suposta elite de perseguição e de entravar o desenvolvimento do seu projeto. Mais PT impossível. Que elite é essa? Por favor, gostaria de saber a resposta. Será aquela com quem ele se aliou em 2008 e que teve grande participação na sua eleição ou aquela com quem ele encontra-se coligado neste ano? De toda forma, qualquer que seja a resposta, a teoria de uma elite perseguindo um indefeso e inocente prefeito cai por terra quando se atesta a maleabilidade e capacidade deste de transitar por grupos políticos rivais e se submeter aos seus interesses em um espaço de tempo tão curto.

Outro alvo de Dr. Santana foi a Câmara dos Vereadores. Gostaria também de entender como equacionar essa conta, uma vez que apenas quatro vereadores constituíram realmente oposição à prefeitura, número insuficiente para transformar o Legislativo neste feroz adversário tão atacado em todos os discursos do prefeito-candidato. A atual legislatura é sim, em sua maior parte, repleta de aves de rapina que se preocupam exclusivamente em obter as melhores vantagens para si mesmas. Tanto que eles votaram a favor do Executivo no projeto de PCCR para os professores enviado pela prefeitura num dos episódios mais tristes deste nefasto mandato, para citar apenas um exemplo.

Não é com falácia, uma boca proferindo palavras bonitas, mas vazias de conteúdo e de comprovação na realidade, que os eleitores devem ser convencidos de sua capacidade de fazer um segundo mandato diferente. Juazeiro não se pode deixar ludibriar novamente pelo canto da sereia (ou pelo brilho da estrela, como preferirem) e reconduzir Santana de novo ao cargo de chefe do Executivo municipal. Àqueles que acreditam que o atual prefeito ainda pode fazer melhor por nossa cidade, peço-lhes que concedam ao ilustríssimo um retiro sabático. Aos que estão arrependidos de ter ajudado a elegê-lo, eis a oportunidade de reparar a escolha errada.

Obras de última hora, reformas de praças, inflação de números no horário eleitoral e ancoragem em programas do governo federal é pouco para recuperar imagem tão deteriorada. Em vez disso, eu preferia ler que a educação do meu município conseguiu atingir altos índices no IDEB, ou pelo menos não ver que a saúde da minha cidade ocupa um dos últimos lugares dentre os mais de cinco mil municípios brasileiros; que a minha cidade tem um transporte público de qualidade, valoriza espaços verdes e o Meio Ambiente, dá um destino adequado ao lixo produzido e caminha a passos largos na melhora de seus indicadores sociais.

Lamento ferir os brios da militância petista, porém um período na oposição fará bem a todos.

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